Já
há algum tempo estamos percebendo a desvalorização não só da função
do professor, mas também da escola, instituição que durante um
tempo serviu com o objetivo de repassar conhecimentos para algumas
pessoas que se julgava serem detentoras de uma melhor posição na
sociedade. Chegou um tempo que inclusive existiam escolas
diferenciadas para ricos e para pobres. Felizmente os tempos
mudaram. Vivemos em uma sociedade democrática, onde todos são
considerados iguais (ou deveriam ser), sem preconceitos e
julgamentos em virtude de classe social ou qualquer outra situação.
O Objetivo hoje da escola é formar cidadãos para viverem em
sociedade da forma mais harmônica possível, e respeitando o meio
ambiente em que vivem.
De
fato existem conteúdos a serem repassados, mas sempre lembrando que
o mundo está em constante mudança, ou seja, o conteúdo vai ser
apenas o ponto de partida, cada vez que for abordado por uma
determinada turma, ele poderá ser reinventado, melhorado,
acrescentado. A modernidade exige isso, estamos em constante
transformação, não é mais permitido fazer apenas o básico, mas sim
procurar estar sempre melhorando, trazendo ideias, questionando,
reformulando.
Então porque a escola está ficando em segundo
plano para os políticos, para a comunidade, porque o professor é um
profissional pouco valorizado, porque o aluno está mostrando cada
vez menos interesse, porque há tanta evasão escolar, porque,
porque, por que... Será que no ambiente escolar está faltando
exatamente isso: aprendermos a perguntar, questionar, pois só isso
nos fará avançar.
Dentro desse contexto a “RBS” lançou
uma campanha tentando fazer com que a população reflita sobre a
educação, intitulada “A Educação precisa de respostas”.
A partir disso fomos bombardeados com uma série de reportagens que
escancaram números preocupantes do que vem ocorrendo na educação do
país. Percebe-se claramente que algo está errado, pois hoje as
crianças desde pequenas já são mais ativas, participativas, tem
muito mais acesso a diversos recursos do que tinham antigamente e
porque há tanta reprovação? Abaixo cito algumas questões que foram
levantadas:
- Baixo investimento na educação básica: em comparação com outros países o Brasil aplica um valor muito baixo por estudante;
- Pouca inovação na sala de aula: A Escola é do século 19, o professor é do século 20, mas o aluno é do século 21. O aluno do século 21 não quer coisa enlatada- analisa Mozart Neves Ramos;
- Baixa participação da comunidade: Pouco envolvimento da família - em pesquisa realizada pelo Ibope “Educar para crescer” 72% das famílias dá uma média 7,0 para escolas públicas e privadas;
- Gestão ineficiente: Em muitos locais há nomeação política de diretores;
- Desprestígio do magistério: baixa remuneração, afugentando os melhores alunos para outras áreas;
- Má formação dos professores: os cursos não preparam adequadamente;
- Reformulação do currículo: reinventar, atualizar;
INDÍCIOS DA POUCA IMPORTÂNCIA QUE A EDUCAÇÃO TEM
NO IMAGINÁRIO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA – FONTE ZERO HORA
30/08/2012
|
PERCENTUAL |
SITUAÇÃO |
|
70% |
Não sabem o que o prefeito está
fazendo para melhorar a qualidade do ensino |
|
1% |
Considera as
propostas de educação determinantes na hora do voto |
|
89% |
Não veem a educação como
principal problema do país |
|
20% |
Acreditam que a educação é também
responsabilidade da população |
|
7% |
Acham que a
educação é responsabilidade dos pais |
|
68% |
Pensam que a responsabilidade é
do governo |
Essa
semana me surpreendi lendo as propostas de campanha de alguns
candidatos a prefeito de Porto Alegre. Existem promessas na área da
educação, mas normalmente voltadas para ampliação de vagas e não
qualificação do ensino. Inclusive uma das candidatas está propondo
que se vencer irá fornecer tablets para todos os alunos e
professores. Fica a pergunta: Adianta darmos instrumentos sem
ensinarmos a usá-los? Em valorização e qualificação de professores
ainda não encontrei nada nas promessas de campanha. Será que vai
mudar alguma coisa fornecermos tecnologia se o professor não souber
usar?
Acredito que este é o momento de todos nós
olharmos para esse assunto tão sério que é a educação e nos
perguntarmos de que forma a mudança deve acontecer e cada um
procurar fazer algo para melhorar este cenário, pois que a educação
é essencial para vivermos em sociedade ninguém pode discordar,
então vamos fazer a diferença propondo ideias e fazendo a coisa
acontecer.
Carmen Scheibler de Oliveira – Estudante
de Licenciatura em Pedagogia - Ufpel
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